
Foi um sacrifício. Noites mal dormidas, dinheiro desembolsado, viagem para outra Cidade. No caminho do show, trânsito. Dificuldade de acesso e muita, muita lama. Mas bastaram os primeiros acordes de “Human” serem entoados para fazer tudo valer a pena. A banda entrou em palco com apenas 15 minutos de atraso, o que para bandas de rock é uma pontualidade britânica. Pontualidade essa que combina com Brandon Flowers e seu estilo gentleman em roupas feitas sob medida. Com todo respeito ao resto da banda, que faz bonito, mas o franzino vocalista é o dono dos holofotes combinando alcance vocal assombroso com performances teatrais dignas de um showman messiânico aprendiz de Bono Vox.

O repertório é impecável, não falta um hit sequer. Passeando por seus três CDs, a banda chegou ao ponto alto do show em uma sequëncia que começa com a belíssima “Dustland Fairytale”, aonde fomos levados a um romance Western americano dos anos 60, parte pela letra da música, altamente descritiva, e parte pelas hipnotizantes imagens do telão. Muitos já se debulhavam em lágrimas e o quarteto californiano ainda emendou “Read my Mind” e “Mr Brightside”. E eis que em um tom apoteótico, Brandon Flowers dá início a um dos maiores momentos do Rock atual. Trata-se do hino “All These Things That I’ve Done”. Lá pro meio da música, Brandon sobe em uma das caixas de som e como um cavaleiro medieval mira seu microfone para a multidão que canta aos berros o coro “I’ve Got Soul But I’m Not a Soldier” que é seguido de uma explosão de confetes. É uma das coisas mais impressionantes que se tem para ver nesse mundo.
Podia parar por aí, mas não satisfeita a banda volta para o Bis e termina com uma performance histórica de “When You Were Young” com direito a guitarrista subindo no piano e cascata de fogos de artifício. Não dá para ser mais Rock n Roll do que isso.
E realmente, não são muitas bandas capazes de fazer o que os Killers fizeram no último Sábado em São Paulo. Foram 12 mil pessoas, de todos os Estados, que mesmo debaixo de muita chuva, não arredaram o pé. Quais bandas são capazes de tal feito antes mesmo do 4º cd? Eu respondo. Nenhuma! Portanto, o The Killers está caminhando a passos fortes para o status que sempre almejou: o de melhor banda do mundo em atividade. Sorte de quem viu.




